Veemente, homenageio a minha mão articulável de madeira – que está posta na estante de livros e materiais de artes – por ser minha auxiliar incansável em meus processos criativos no meu ateliê. Não a olho para aprender a desenhar e pintar a luz e a sombra. Tampouco vejo essa peça como decoração de interiores. A minha mão, embora articulável, não tem articulações suficientes e não consegue empatar com as 64 (ou mais) configurações de mãos diferentes. Não sei porque insisto em chama-la de mão articulável ao invés de dar um nome diferente, mesmo que seja rígida. Eu, a artista plástica, vejo como um desafio para ela por ser manual, como uma aprendizagem comum todos os dias. Até que um dia a mesma me transmitiu suas mensagens e emoções: A mão de madeira é uma contadora de histórias. As mãos de madeira são rígidas, sim, muitos mais que palavras escritas que podem desaparecer virando poeira. As histórias das mãos são mais resistentes como as minhas pinturas.